09
mar

Chute no traseiro

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Não foi nada diplomática a declaração do francês, Jérôme Valcke (secretário-geral da Fifa), de que o Brasil merecia um chute no traseiro pelo atraso nas obras para Copa de 2014. Sabe aquela velha história de que só você pode falar mal da sua família? Então, com a pátria é parecido. Noves fora à deselegância do sujeito citado, ao menos em um tópico, ainda não há registro de evolução na auto-estima da sociedade brasileira: nossa triste resignação com os atrasos de obras públicas.

02
mar

Chazinho e chihuahua?

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Cansado de tanto invadirem sua propriedade, o cidadão coloca um cachorro para tomar conta. Ótimo, se não tivesse escolhido um delicado chihuahua para o cargo. Há pelo menos dois anos, venho alertando que o capital especulativo entra no Brasil como bem quer, na hora que bem entende. Agora, quando finalmente o governo afirma ter percebido a prática e informa que vai combatê-la, adota medidas de gestão ineficazes, para não dizer irrelevantes. A mudança de IOF, anunciada pelo Ministério da Fazenda, se equivale a um chihuahua tentando proteger uma fazenda.

23
fev

O bicho-papão está caindo

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O bicho-papão do mundo começa a mostrar os primeiros sinais de estafa. Vítima da própria ganância, ele vai se isolando, enfraquecendo. Por alguns anos, reinou soberano no planeta, fazendo uso de agressiva estratégia de invasão territorial. Suas vítimas, porém, iniciam um processo de evolução, desenvolvendo recursos de proteção poderosos e eficazes.

15
fev

PIB vs IDH * (Os dois lados da moeda)

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- Alçamos a posição de grande potência, meu caro. Ultrapassamos a Inglaterra e somos o sexto principal país do mundo.

 - Desculpe, mas não é bem assim. Temos bastante a melhorar para estarmos entre os principais. Estamos longe de sermos uma potência.

07
fev

Olho no olho

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O e-mail substituiu a carta, o skype balançou a telefonia e a internet jogou quilos de terra por cima das enciclopédias. Na era digital, os modelos de interação ou busca de conhecimento foram reinventados. Jamais, porém, haverá evolução tecnológica capaz de suprir o bom e velho contato olho no olho.

02
fev

Sem-vergonhice literalmente descarada

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O termo “sem-vergonhice descarada” – usual para apontar falta de constrangimento diante de uma atitude censurável – acaba de receber inédita conotação literal. A “nova expressão” da língua portuguesa foi criada por um nobre político brasileiro, que conseguiu a proeza de ser sem-vergonha, porém, sem dar as caras.

26
jan

Como criar uma nova China

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Cena típica de cinema: o casal dormindo abraçado, aí toca o telefone. “Não atende, não atende”, sussurra a mulher contrariada, sem conseguir evitar a atitude do marido, que é um profissional de sucesso e alega que pode ser importante. No que depender de alguns gênios da administração pública brasileira, essa consagrada tomada cinematográfica estará com os dias contados. Celular de executivo tocando à noite será motivo de comemoração, de preferência com conversas longas.

17
jan

Líder do futuro

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Seu filho é aquele que diariamente escolhe as brincadeiras para os amiguinhos, tem sacadas perspicazes para conseguir o que quer, e está sempre rodeado de uma legião de fãs? Caso o pimpolho realmente tenha essas qualidades, saiba que na sua residência há um tesouro a ser lapidado; uma criança com potencial para ser transformada em uma espécie em extinção, cada vez mais procurada pelo mercado de trabalho: o líder. A pegadinha aqui é que, caso o seu rebento não se enquadre em característica alguma dessas, nada impedirá que ele exerça uma boa liderança na vida profissional. Líder se constrói, não precisa nascer pronto; e cabe aos gestores de fato estimular a multiplicação de representantes dessa espécie, tão ou mais rara do que o mico-leão dourado.

11
jan

Errei o cálculo

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Venho repetindo, exaustivamente, que o Brasil crescerá sobremaneira nos próximos 10 ou 15 anos, puxado pelo mercado interno e pela iminente necessidade de criar uma infraestrutura com padrões minimamente satisfatórios. Hoje, percebo que errei o cálculo. Subestimei o abismo que separa nossa nação do que deve ser entendido como um país que, de fato, emergiu economicamente.

03
jan

Um difícil ano bom

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Ninguém irá da lama ao céu em 2012. Para quem se vestiu de branco e fez a animada contagem regressiva pelo fim de 2011, na esperança de reviver a euforia vista no Brasil de 2010, agora só sobrou uma alternativa: acordar. Um crescimento próximo a 4% no ano até é factível, pois o país está longe da saturação de mercado e os investimentos em infraestrutura vão puxar a nação. Mas não há economia no mundo, hoje, que gere riqueza para crescer 15, 20%. Isso é bolha.